Da <i>Bíblia</i> à planificação
No período destinado à intervenção do público, uma dúzia de participantes tomou a palavra, interpelando os quatro autores das comunicações iniciais.
Foi lembrado que as limitações das desigualdades económicas e, em particular, as salariais, ocorreram em Portugal no período revolucionário.
A propósito do plano proposto no final de 1983, para dinamizar a indústria naval, que teve o apoio de Manuela Silva, entre outras personalidades, a professora viria a esclarecer que concorda, «claro», com o planeamento económico, entendido como o debate e a concertação para definições estratégicas.
Depois de manifestar «total desacordo» com reformas, como as sugeridas pela economista católica, e explicando não acreditar em soluções que não passem pela alteração das relações de produção, um dos participantes concluiu esperando «que Deus me perdoe».
Conhecida activista de movimentos católicos e dirigente da CGTP-IN, Deolinda Machado evocou um outro debate em que participou recentemente, para citar a reacção de um bispo à ideia de que a Bíblia algures diz que tem que haver sempre pobres: «Mas não diz que têm que ser sempre os mesmos.»
Em várias questões foi apontada a importância da redução do tempo de trabalho, suscitando o apoio de todos os oradores para esse objectivo, possibilitado pela evolução tecnológica e pela entrada das mulheres na produção, entre outros factores.
Jorge Leite apoiou a ideia de expor as desigualdades salariais e reduzi-las, mas adiantou que, sem força de lei, os empregadores não aceitariam tal princípio. Aceitou que «trapalhada» caracteriza o imbróglio jurídico da entrada em vigor do Código do Trabalho, mas «monstro» define melhor o seu conteúdo, porque deixa o trabalhador mais exposto aos arbítrios do empregador e vai estimular a dessindicalização.
Pedro Carvalho recordou que a regressão histórica que a revisão do Código representa, com o pressuposto da igualdade entre trabalho e capital na relação laboral, contempla os princípios da flexibilização, da empregabilidade e da «flexigurança», saídos da «mesa-redonda dos industriais». Assinalou ainda que os últimos dois anos são marcados por um nível recorde de transferência de ganhos de produtividade do trabalho para o capital e, comentando o recuou das teses «neoliberais», notou que os seus autores «só defendem o Estado mínimo para o social», mas querem «o Estado máximo para salvaguardar os interesses do grande capital».
Foi lembrado que as limitações das desigualdades económicas e, em particular, as salariais, ocorreram em Portugal no período revolucionário.
A propósito do plano proposto no final de 1983, para dinamizar a indústria naval, que teve o apoio de Manuela Silva, entre outras personalidades, a professora viria a esclarecer que concorda, «claro», com o planeamento económico, entendido como o debate e a concertação para definições estratégicas.
Depois de manifestar «total desacordo» com reformas, como as sugeridas pela economista católica, e explicando não acreditar em soluções que não passem pela alteração das relações de produção, um dos participantes concluiu esperando «que Deus me perdoe».
Conhecida activista de movimentos católicos e dirigente da CGTP-IN, Deolinda Machado evocou um outro debate em que participou recentemente, para citar a reacção de um bispo à ideia de que a Bíblia algures diz que tem que haver sempre pobres: «Mas não diz que têm que ser sempre os mesmos.»
Em várias questões foi apontada a importância da redução do tempo de trabalho, suscitando o apoio de todos os oradores para esse objectivo, possibilitado pela evolução tecnológica e pela entrada das mulheres na produção, entre outros factores.
Jorge Leite apoiou a ideia de expor as desigualdades salariais e reduzi-las, mas adiantou que, sem força de lei, os empregadores não aceitariam tal princípio. Aceitou que «trapalhada» caracteriza o imbróglio jurídico da entrada em vigor do Código do Trabalho, mas «monstro» define melhor o seu conteúdo, porque deixa o trabalhador mais exposto aos arbítrios do empregador e vai estimular a dessindicalização.
Pedro Carvalho recordou que a regressão histórica que a revisão do Código representa, com o pressuposto da igualdade entre trabalho e capital na relação laboral, contempla os princípios da flexibilização, da empregabilidade e da «flexigurança», saídos da «mesa-redonda dos industriais». Assinalou ainda que os últimos dois anos são marcados por um nível recorde de transferência de ganhos de produtividade do trabalho para o capital e, comentando o recuou das teses «neoliberais», notou que os seus autores «só defendem o Estado mínimo para o social», mas querem «o Estado máximo para salvaguardar os interesses do grande capital».